ROMERO JUCÁ DEIXA O CARGO NO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO

Peemedebista foi flagrado em conversa na qual sugere “pacto” para barrar avanço da Operação Lava Jato.

Após vazamento da gravação na qual fala em “pacto” para barrar avanço da Operação Lava Jato, o ministro interino do Planejamento, Romero Jucá (PMDB de Roraima), anunciou, no início da noite de ontem, segunda-feira, 23 de maio, que colocará a disposição do presidente interino, Michel Temer (mesma sigla), o seu atual cargo na pasta e voltará para o seu cargo no Senado Federal.

No referido áudio, Romero Jucá conversa com o ex-senador Sérgio Machado (também ex-presidente da Transpetro, uma empresa filial da Petrobrás), que se diz “preocupado” com o andamento das investigações e propõe a criação de um esquema para “blindar” os peemedebistas das investidas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, assim como do juiz Sérgio Moro, condutor da Lava Jato em Curitiba (Paraná). Tanto Jucá, como também Machado, são investigados pela Operação.


Com a decisão de Jucá, quem assumirá o cargo como ministro interino do Planejamento, já nesta terça-feira, 24 de maio, é o suplente do senador peemedebista, Dyogo Oliveira. No entanto, a expectativa é que o presidente interino Michel Temer indique um novo nome para assumir oficialmente o cargo deixado por Romero Jucá. Temer já havia cobrado explicações imediatas e conviventes do então ministro do planejamento, assim que a gravação da conversa com Machado vazou para a imprensa.


Com a oficialização do afastamento de Romero Jucá, ele se torna o primeiro membro do novo ministério a deixar o governo interino de Michel Temer, que assumiu o comando do país no Palácio do Planalto há onze dias. Ao se dirigir ao Congresso Federal na tarde de ontem, Jucá foi alvo de um forte protesto por parte de manifestantes contrários ao afastamento da presidente da República Dilma Rousseff (PT), afastada pelo Senado por 180 dias. Jucá foi chamado de “golpista” pelos manifestantes.

Ainda com relação a conversa vazada entre Romero Jucá e Sérgio Machado, ambos citaram nomes importantes do atual cenário político do país, que, segundo eles, também estariam no alvo de Rodrigo Janot e do juiz Sérgio Moro. Dentre os citados, estão: Renan Calheiros (presidente do Senado), o senador tucano Aécio Neves (que concorreu a presidência da República nas últimas eleições) e o da presidente afastada Dilma Rousseff.

“Vazamento deve acirrar o conflito político no país”, diz especialista
Para o sociólogo e cientista político Jaime Pondé, o vazamento da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado deve contribuir para alimentar, ainda mais, o acirramento político que se implantou no Brasil nos últimos meses.


“O áudio vazado é bastante comprometedor. Esse vazamento deve acirrar o conflito político no país. Quem defende a ideia de que o impeachment contra Dilma é um ‘golpe’, ganhou uma tremenda munição para contra-atacar. Temer terá que demonstrar uma inabalável segurança política para contornar os protestos, que devem se intensificar. Ele já não tinha o apoio de uma parcela da população, agora terá que saber amenizar as coisas. Está claro na gravação que os envolvidos pensam em algo para se ‘proteger’ da Lava Jato, e isso pegou muito mal para o atual governo.”, afirma Pondé.

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